O Meu Poema
Envie o seu Poema para Exposição Neste Espaço que foi Criado para Si...
email: artesaovivo3000@hotmail.com
Sara tu me trais-te!
Angelo Reis (O Poeta dos pés descalços) * Luanda * Migueiro – 9:19 AM
Sara tu me trais-te!
Olho para o céu e tudo o que foste começa a tornar-se num rasto em cinzas. Eu podia ter-te sorrido, podia ter-te deixado ficar, já eram tantas as vezes em que quase partias, eu só queria agarrar as tuas mãos mais uma vez... mas eu nunca voei contigo.
Sara tu me trais-te.
Entreguei o tempo nas tuas mãos e tu consumis-te-o como se fosse teu. A minha sede de te amar, os momentos, os laços cortados com a pressa de uma palavra rasgada ao vento - eu quis ver-me livre de ti assim que me foi possível. Sara tu me trais-te
E se foram muitas as vezes em que te disse que te amava para sempre, hoje digo-te que o amor não é eterno, e que nós é que nos iludimos, digo-te que há outro sorriso no lugar do teu e que, afinal, eu não precisava de ti... E eu avisei-te tantas vezes Sara tu me trais-te.
Comparei-te ao eterno mas também o eterno se perdeu com o tempo, é dura a escolha que fazemos do destino, eu escolhi nunca mais te querer ao meu lado - vezes demais a vida me doeu por tua causa Sara tu me trais-te
... E se, por vezes, me fizeste sorrir e o teu riso ainda ecoa na distância do meu caminho, foram muitas as vezes em que escondi de ti as lágrimas que desfiava ao luar - eu disse-te que gritava por dentro o tempo todo... quantas vezes Sara? Tu me trais-te, tu nunca acreditaste... Então eu desisti, como se desiste de um jogo antes de se perder, larguei a tua mão, com o pouco que me restava, e fiz o meu caminho, mesmo sem saber em que esquinas virar - qualquer rua é melhor do que a que corri contigo. Sara tu me trais-te.
E porque já não me és quase nada senão pena, o teu rosto longe de mim como nunca, já não me serves de sol nos dias de chuva nem de abraço nas noites frias... eu já não preciso de ti como sempre pensei que precisava, afinal não eras tudo, o teu nome no meu peito nunca mais - avisei-te tantas vezes mesmo assim tu me trais-te Sara...agora acabou adeus.
Arde Em Minhas Mãos...
Ângelo Reis (O poeta dos pés descalços) * Boa Vista 04:10 am
No ar espalham-se os aromas suaves de mel e canela que lentamente se soltam dos incensos que aquecem a penumbra que nos envolve.
Entre a escuridão dissimulada da antecipada noite provocada por nós, brilham chamas de velas cujas sombras insinuantes, serpenteiam nas paredes, dando ao espaço um ambiente de mistério.
De olhos fechados estremeces em sintonia com cada gota de óleo que chove sobre ti, que escorre, e te lambe a pele. Elixir de prazer que se entranha em cada um dos teus poros como lágrimas perfumadas, choradas da fervência de um desejo louco que te queima as entranhas.
De mãos acesas deixo a imaginação fluir pelo fogo ardente da tua pele, apago os olhos e deixo que o calor que emanas acaricie as carícias soltas que as minhas mãos te oferecem.
As sensações que despertas em mim envolvem-se em ti, espreito o interior da alma e traço o percurso que as mãos devem seguir no território delicioso que és tu.
No doce deslizar do óleo, sinto cada sulco teu, cada curva, cada ondulação que tão bem conheço. Suspiras profundamente quando passeio os meus dedos carinhosamente no teu peito, provocando-me também a mim um murmúrio de prazer.
Num momento de puro devaneio sinto o teu corpo voar para dentro do meu, flutuo no ardor da tua aura e misturo-me em ti, escorrego entre tuas coxas, teus braços, tuas vontades mais secretas.
Com as emoções misturadas em sensualidade que transborda deste momento intenso, não consigo mais conter o desejo de abrir os olhos, de te olhar, beijar e de te amar ali mesmo, entre um sonho desperto de aromas doces e a realidade da tua paixão que tenho a arder entre as minhas mãos…
A Música da Cevada e da Uva
Nguimba Ngola (Isalino Augusto) * 26/01/2006
Mentes afogadas no rio da nganza
Transam promiscuamente a vida
Esquecem-se que o amanhã ainda virá
E trará
A esperança de um sol
Ameno
Eterno...
Dançam a música da cevada e da uva
Estilhaçam os fígados
Gotejando o amarelo da desgraça
Não dão graças a Deus pelo coração
Caem na ilusão
E na emoção
Torrando o kumbu dos bolsos furados
E lá vão
Adormecendo na cova escura
E agora quem é o culpado?
Lobisomem à Sexta-Feira
Manuela Alfredo * 12/03/06 * 23:20
Sexta-feira tiram a aliança do dedo
Corajosos ousados sem medo
Flutuam no ritmo corporal
Onde a chama acesa começa no Palos
E termina no Chequemate
Tarrachinha quadradinha
Já é data de expiração
Agora tarrachinha gira gira
A mais pura inovação
Sedentos,
Mergulham no Oceano selvagem
Rugindo em busca do farejar amargo
Mas doce melaçoso do açúcar granulado
Embriagados do Whisky Cola
Que ferve a temperatura máxima
Fazendo oscilar a energia química do aparelho electrónico
Que rompe com a pulsação
E o fôlego do coração quando entra em erupção
A condução,
Sem Título de Propriedade
Era ilegal e com a máxima velocidade
Cavalgando em mares ultras profundos
Sem pagar a Taxa de Circulação
E obter qualquer permissão
O nevoeiro domina o cérebro
E a escuridão bloqueia os neurónios
Que se lembra de esquecer
O que não deve permanecer
Depois de acontecer
Chega a geada do dia seguinte
A aliança volta ao dedo
Já é cedo
E o Bom dia à preciosa legítima
Até faz esquecer quem ontem foi vítima.
Lugar nenhum, lugar algum
Yara Lopes
Não nasci num qualquer lugar
Se o entardecer fosse igual em todas as cidades
Não haveria lugar para a minha nostalgia
Que a beleza dos dias sem sol me permitam divagar em tal lembrança
Porque o calor da alma em nenhum momento se iguala ao calor da pele
E para que não se queimem sonhos na fogueira da contradição
Eis que o batuque não se cala
Eis que o corpo não se cansa
O apito anuncia a vitória da tradição
Porque a cegueira da alma em nenhum momento
Se iguala a cegueira dos olhos
Quando o balaio da esperança esvaziar e só um grão sobrar
Descobrir-se-á que nunca houve em lugar algum
Um amanhecer tão belo
Sofrimento Do Meu Povo
De Mbala Neto
I
Sofrimento do meu povo
Tristeza de meu rosto
Colono moribundo
Porque não nos deixas em paz?
Porque não partes para tua terra?
II
Angola terra rica
Tua riqueza não vemos
Só tristeza e fome
São as memórias de teu povo
Oh pátria querida
Sonho de Hoji ya Henda
Quando serás do teu povo
Angola 1972
Poema de Amor
De: Maximmus Angellicum
Tende piedade dos que se escravizam pelo laço de seda do Amor,
E se julgam donos de alguém, e sentem ciúmes, e se matam com
Veneno, e se torturam porque não conseguem ver que o Amor muda
Como o vento e como todas as coisas. Mas tende mais piedade dos
que morrem de medo de amar, e rejeitam o amor em nome de um
Amor Maior que eles não conhecem, porque não conhecem Tua lei
que diz: «Quem beber desta água nunca mais tornará a ter seda.»
Eu Quiz Ser (O Paradoxo)
Por Odair Mondlane / 2005 Holanda
Há uma voz que me tenta perturbar
Uma imagen noturna que meu sonhar tenta roubar
Por isso eu quiz deixar de chorar
Para o tabu do Homem quebrar
Eu quiz deixar de ser O Poeta, quebrar a caneta
E tentar saber se sou o Alfa ou Beta
E assumir a minha metafisica forma
Eu quiz deixar de existir, e por norma
Levar o mundo á uma quinta dimensão
E elevar a existência ao terceiro grau
Eu quiz ser uma imagen
Tal qual a Buda, Nefertiti e Ramses, mesmo de passagen
Nao apenas uma voz presa no magnetico e, esqueceda no selectico
Eu quiz ser paradoxo
Contrário ao mundo e ser um mito
Ou ortodoxo
Contrariar o Papado e estar restrito
Eu quiz ser filósofo, descipulo de todos
Para um dia estar errado com todos
Eu quiz ser Cristão para saber amar
E religioso para aprender leis, leis a que submete-se a alma
Para no fim reconhecer que sou imperfeito
Eu quiz buscar a Deus por todo este mar de religiões
Esquecer a Cristo nestas legiões
Para saber que nunca o encontrei
Eu quiz ser a morte
Para voltar a encarnar contraria a lei
E saber que ja nao existo para escolte
Eu quiz ser Papa, Benedictus como Joao Paulo II
Ser por lei ecletica representante de Deus no mundo
E no fim saber que nao sou nada no fundo
Eu quiz levar o mundo ao suicídio total
Para termos um fim igual
E no fim sabermos que ha salvação
Eu quiz ser cego Hereditário, por reprodução
Poder ver apenas no imaginário
Mas conhecer melhor o ser Ser do que quem vê, Otário
Eu quiz ser o sol e todos os gazes expecto Carbono
E mesmo assim acabar com o Ozono
Para no fim o mundo ser mais responsavel
Eu quiz, sério, eu quiz ser marvel
Tentar governar o mundo como Adolf Hitler
O Inter,
Fazer o Homem passer por palhaço
E reconhecer que sou incapaz, minha morte foi o sinal do meu fracaço
Eu quiz estar na pele de cirurgiões
Poder operar mil corações
Mas nunca na verdade saber oque é amar
Eu quiz saber tudo
Ser uma enciclopédia viva para o mundo
E a história me apagar, e nao a sina
Eu quiz ser nicotina
Para ser um estimulante destructivo
E saber que nao adianta existir no ser vivo
Eu quiz ser um momento de reflexão para o mundo
Para no fundo nunca descobrir onde erramos no mundo
Eu quiz ser os labios de uma prostituta
Para saciar mil beijos e ser astuta
E saber que nunca sou amada e, estou errada
Eu quiz ser
Para pensar e logo ser
E descobrir que Socrates estava errado
Eu quiz ser a noite em que se envolve a escuridao de um lado
Para testemunhar crimes, tráficos e cobiças
E nunca poder falar de malícias
Eu quiz ser o dia inimigo da noite e simplice
Para o poder condenar, e mais tarde compreender que sou cumplice
Eu quiz ser a fama
Para herdar o mundo e perder a alma
E descibrir que nao sou feliz
Eu quiz
Ser a obsessao para ter ideias fixas em mim
E descobrir que nem eu estou fixo em mim
Eu quiz ser a dor
Para causar transtorno ou mor… pschiu!!
E nunca descobrir a minha definiçao de dor
Eu quiz ser branco
Para sentir que diferença no seu todo tem o preto, ou louco
Para nunca entender porque que sou racista
Eu quiz estar errado
Para confundir o mundo
E descobrir que estou certo
Destino
De: Maximmus Angellicum
Estava tão convencido de saber o que queria, que se comportara da mesma maneira como aqueles que nunca tomaram uma decisão importante na vida. Fugira da dúvida. Da derrota. Dos momentos de indecisão. Mas o Senhor era generoso, e o conduzira ao abismo do inevitável, para mostrar-lhe que o homem precisa escolher – e não aceitar – o seu destino.
Sem Título
De: Mario Kwenha
Sento-me na Ilha de Luanda, a Beira-mar
Ouço o barulho das ondas , exprimo-me sem pensar
Falo das minhas tristezas, aos meus ancestrais tento mandar o recado
Porque ... não posso esquecer o meu passado
Lágrimas caiem, deslizando suavemente pela minha face
Faz-me lembrar dos tempos que ainda não tinha nascido
Hoje vivo mas sou e estou esquecido
Mas lembro-me que naquele tempo que nunca estive perdido
... choro quando te vejo sofrer e nada posso fazer
Vamos fazer mais como então, se continuamos nessa vida
Com a nossa tristeza, enfeitada de alegria
Os nossos pesadelos, cheios de fantasia
Que apesar de todas as dificuldades,
Somos e sempre seremos Angolanos de Verdade
Nossas palavras serão ouvidas por aqueles...
Aqueles... Por aqueles que cantam a liberdade
De: afrothug a.k.a Ngunza Kwenha
Quanto mais me inspiro, mais escrevo, Quanto mais escrevo, mais me inspiro.
Consciência
De: Angelo Reis/Maximmus Angellicum
No Outono da minha vida,
quando eu pensava que havia vivido tudo o que podia viver ,
surgiu aquela mulher para me mostrar que nenhum sentimento
envelhece junto com o corpo.
Os sentimentos fazem parte de um mundo onde não existe tempo,
Nem espaço nem fronteiras.
Descoberta
De: Angelo Reis
Tende piedade dos que têm medo de segurar na pena, no pincel, no instrumento, na ferramenta, porque acham que alguém já fez melhor que eles, e não se sentem dignos de entrar na mansão portentosa da Arte. Mas tende mais piedade dos que seguram na pena, no pincel, no instrumento e na ferramenta, e transformaram a Inspiração numa forma mesquinha de se sentirem melhores do que os outros. Eles não conheceram a Tua lei que diz:«Nada está oculto senão para ser manifesto, e nada se faz escondido senão para ser revelado.»
Maximmus Angellicum
Amor
De: Angelo Reis
Sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra.
E quando estas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram,
todo o passado e todo o futuro perde qualquer importância,
e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível
que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma mão.
A mão que desperta o amor e que faz uma alma gémea
para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do sol.
Porque sem isso não haverá qualquer sentido para os sonhos da raça humana
Durante anos lutei contra o meu coração porque tinha medo da tristeza,
do sofrimento, do abandono.
Sempre soubera que o verdadeiro amor estava acima de tudo isto,
e que era melhor morrer do que deixar de amar.

bravenet.com