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Alô pessoal! Saudações a todos vocês. Envio 2 poemas meus para publicação no vosso site. Um abraço forte ao amigo Shinya!

 

Mário Nelson

 

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Caros senhores!

Em visita a vossa página, que gostei imenso, achei o espaço em que podemos expor nossos poemas.

Estou então enviando o meu poema dedicado a todas angolanas em alusão do dia da mulher angolana.

Isalino Augusto

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Kume, estava a ver o Site do "ARTES AO VIVO", e como sabes, começou já a me fritar os miolos ( lá tinhas que estar tu no projecto, você so me traz azar ehehehehe), ya, mas comecei a escrever, escrever, escrever ... e lá saiu esse poema, nao sei da onde saiu, porque não sou Poeta, mas ai esta. também comecei a me lembrar dos velhos tempos no mIRC, Battles, Freestyles... saudades bateram ...

Mario Kwenha 

afrothug a.k.a Ngunza Kwenha

 

                   

Eu também não acreditava

Eu também não escrevia

Eu também era gozado

Mas eu também acreditei

Aqui gritei

Ali chorei

Álem sorri

E hoje posso partilhar

Contigo e o Mundo

(Kardo Bestilo, 2005)

O Meu Poema 

Envie o seu Poema para Exposição Neste Espaço que foi Criado para Si...

email: artesaovivo3000@hotmail.com

                                                           

Sara tu me trais-te!

Angelo Reis (O Poeta dos pés descalços) * Luanda * Migueiro – 9:19 AM

Sara tu me trais-te!

Olho para o céu e tudo o que foste começa a tornar-se num rasto em cinzas. Eu podia ter-te sorrido, podia ter-te deixado ficar, já eram tantas as vezes em que quase partias, eu só queria agarrar as tuas mãos mais uma vez... mas eu nunca voei contigo.

Sara tu me trais-te.
Entreguei o tempo nas tuas mãos e tu consumis-te-o como se fosse teu. A minha sede de te amar, os momentos, os laços cortados com a pressa de uma palavra rasgada ao vento - eu quis ver-me livre de ti assim que me foi possível. Sara tu me trais-te

E se foram muitas as vezes em que te disse que te amava para sempre, hoje digo-te que o amor não é eterno, e que nós é que nos iludimos, digo-te que há outro sorriso no lugar do teu e que, afinal, eu não precisava de ti... E eu avisei-te tantas vezes Sara tu me trais-te.
Comparei-te ao eterno mas também o eterno se perdeu com o tempo, é dura a escolha que fazemos do destino, eu escolhi nunca mais te querer ao meu lado - vezes demais a vida me doeu por tua causa Sara tu me trais-te

... E se, por vezes, me fizeste sorrir e o teu riso ainda ecoa na distância do meu caminho, foram muitas as vezes em que escondi de ti as lágrimas que desfiava ao luar - eu disse-te que gritava por dentro o tempo todo... quantas vezes Sara? Tu me trais-te, tu nunca acreditaste... Então eu desisti, como se desiste de um jogo antes de se perder, larguei a tua mão, com o pouco que me restava, e fiz o meu caminho, mesmo sem saber em que esquinas virar - qualquer rua é melhor do que a que corri contigo. Sara tu me trais-te.

E porque já não me és quase nada senão pena, o teu rosto longe de mim como nunca, já não me serves de sol nos dias de chuva nem de abraço nas noites frias... eu já não preciso de ti como sempre pensei que precisava, afinal não eras tudo, o teu nome no meu peito nunca mais - avisei-te tantas vezes mesmo assim tu me trais-te Sara...agora acabou adeus.

Arde Em Minhas Mãos...

Ângelo Reis (O poeta dos pés descalços) * Boa Vista 04:10 am

 

No ar espalham-se os aromas suaves de mel e canela que lentamente se soltam dos incensos que aquecem a penumbra que nos envolve.

 

Entre a escuridão dissimulada da antecipada noite provocada por nós, brilham chamas de velas cujas sombras insinuantes, serpenteiam nas paredes, dando ao espaço um ambiente de mistério.
De olhos fechados estremeces em sintonia com cada gota de óleo que chove sobre ti, que escorre, e te lambe a pele. Elixir de prazer que se entranha em cada um dos teus poros como lágrimas perfumadas, choradas da fervência de um desejo louco que te queima as entranhas.
De mãos acesas deixo a imaginação fluir pelo fogo ardente da tua pele, apago os olhos e deixo que o calor que emanas acaricie as carícias soltas que as minhas mãos te oferecem.
As sensações que despertas em mim envolvem-se em ti, espreito o interior da alma e traço o percurso que as mãos devem seguir no território delicioso que és tu.
No doce deslizar do óleo, sinto cada sulco teu, cada curva, cada ondulação que tão bem conheço. Suspiras profundamente quando passeio os meus dedos carinhosamente no teu peito, provocando-me também a mim um murmúrio de prazer.
Num momento de puro devaneio sinto o teu corpo voar para dentro do meu, flutuo no ardor da tua aura e misturo-me em ti, escorrego entre tuas coxas, teus braços, tuas vontades mais secretas.
Com as emoções misturadas em sensualidade que transborda deste momento intenso, não consigo mais conter o desejo de abrir os olhos, de te olhar, beijar e de te amar ali mesmo, entre um sonho desperto de aromas doces e a realidade da tua paixão que tenho a arder entre as minhas mãos…
        

A Música da Cevada e da Uva 

Nguimba Ngola (Isalino Augusto)  * 26/01/2006

 

Mentes afogadas no rio da nganza

Transam promiscuamente a vida

 

Esquecem-se que o amanhã ainda virá

E trará

A esperança de um sol

Ameno

Eterno...

 

Dançam a música da cevada e da uva

Estilhaçam os fígados

Gotejando o amarelo da desgraça

 

Não dão graças a Deus pelo coração

Caem na ilusão

E na emoção

Torrando o kumbu dos bolsos furados

E lá vão

Adormecendo na cova escura

 

E agora quem é o culpado?

Lobisomem à Sexta-Feira

Manuela Alfredo * 12/03/06 * 23:20

 

Sexta-feira tiram a aliança do dedo

Corajosos ousados sem medo

Flutuam no ritmo corporal

Onde a chama acesa começa no Palos

E termina no Chequemate

 

Tarrachinha quadradinha

Já é data de expiração

Agora tarrachinha gira gira

A mais pura inovação

 

Sedentos,

Mergulham no Oceano selvagem

Rugindo em busca do farejar amargo

Mas doce melaçoso do açúcar granulado

 

Embriagados do Whisky Cola

Que ferve a temperatura máxima

Fazendo oscilar a energia química do aparelho electrónico

Que rompe com a pulsação

E o fôlego do coração quando entra em erupção

 

A condução,

Sem Título de Propriedade

Era ilegal e com a máxima velocidade

Cavalgando em mares ultras profundos

Sem pagar a Taxa de Circulação

E obter qualquer permissão

 

O nevoeiro domina o cérebro

E a escuridão bloqueia os neurónios

Que se lembra de esquecer

O que não deve permanecer

Depois de acontecer

 

Chega a geada do dia seguinte

A aliança volta ao dedo

Já é cedo

E o Bom dia à preciosa legítima

Até faz esquecer quem ontem foi vítima.

Lugar nenhum, lugar algum

Yara Lopes

 

Não nasci num qualquer lugar
Se o entardecer fosse igual em todas as cidades

Não haveria lugar para a minha nostalgia


Que a beleza dos dias sem sol me permitam divagar em tal lembrança
Porque o calor da alma em nenhum momento se iguala ao calor da pele
E para que não se queimem sonhos na fogueira da contradição


Eis que o batuque não se cala
Eis que o corpo não se cansa
O apito anuncia a vitória da tradição
Porque a cegueira da alma em nenhum momento

Se iguala a cegueira dos olhos
Quando o balaio da esperança esvaziar e só um grão sobrar
Descobrir-se-á que nunca houve em lugar algum
Um amanhecer tão belo

www.yaralopes.blogspot.com

Sofrimento Do Meu Povo

De Mbala Neto

 

I

 

Sofrimento do meu povo

Tristeza de meu rosto

Colono moribundo

Porque não nos deixas em paz?

Porque não partes para tua terra?

 

II

 

Angola terra rica

Tua riqueza não vemos

Só tristeza e fome

São as memórias de teu povo

Oh pátria querida

Sonho de Hoji ya Henda

Quando serás do teu povo

 

Angola 1972

Poema de Amor

De: Maximmus Angellicum 

Tende piedade dos que se escravizam pelo laço de seda do Amor,

E se julgam donos de alguém, e sentem ciúmes, e se matam com

Veneno, e se torturam porque não conseguem ver que o Amor muda

Como o vento e como todas as coisas. Mas tende mais piedade dos

que morrem de medo de amar, e rejeitam o amor em nome de um

Amor Maior que eles não conhecem, porque não conhecem Tua lei

que diz: «Quem beber desta água nunca mais tornará a ter seda.»

 

Eu Quiz Ser (O Paradoxo)

Por Odair Mondlane / 2005 Holanda

 

Há uma voz que me tenta perturbar

Uma imagen noturna que meu sonhar tenta roubar

Por isso eu quiz deixar de chorar

Para o tabu do Homem quebrar

Eu quiz deixar de ser O Poeta, quebrar a caneta

E tentar saber se sou o Alfa ou Beta

E assumir a minha metafisica forma

Eu quiz deixar de existir, e por norma

Levar o mundo á uma quinta dimensão

E elevar a existência ao terceiro grau

Eu quiz ser uma imagen

Tal qual a Buda, Nefertiti e Ramses, mesmo de passagen

Nao apenas uma voz presa no magnetico e, esqueceda no selectico

Eu quiz ser paradoxo

Contrário ao mundo e ser um mito

Ou ortodoxo

Contrariar o Papado e estar restrito

Eu quiz ser filósofo,  descipulo de todos

Para um dia estar errado com todos

Eu quiz ser Cristão para saber amar

E religioso para aprender leis, leis a que submete-se a alma

Para no fim reconhecer que sou imperfeito

Eu quiz buscar a Deus por todo este mar de religiões

Esquecer a Cristo nestas legiões

Para saber que nunca o encontrei

Eu quiz ser a morte

Para voltar a encarnar contraria a lei

E saber que ja nao existo para escolte

Eu quiz ser Papa, Benedictus como Joao Paulo II

Ser por lei ecletica representante de Deus no mundo

E no fim saber que nao sou nada no fundo

Eu quiz levar o mundo ao suicídio total

Para termos um fim igual

E no fim sabermos que ha salvação

Eu quiz ser cego Hereditário, por reprodução

Poder ver apenas no imaginário

Mas conhecer melhor o ser Ser do que quem vê, Otário

Eu quiz ser o sol e todos os gazes expecto Carbono

E mesmo assim acabar com o Ozono

Para no fim o mundo ser mais responsavel

Eu quiz, sério, eu quiz ser marvel

Tentar governar o mundo como Adolf Hitler

O Inter,

Fazer o Homem passer por palhaço

E reconhecer que sou incapaz, minha morte foi o sinal do meu fracaço

Eu quiz estar na pele de cirurgiões

Poder operar mil corações

Mas nunca na verdade saber oque é amar

Eu quiz saber tudo

Ser uma enciclopédia viva para o mundo

E a história  me apagar, e nao a sina

Eu quiz ser nicotina

Para ser um estimulante destructivo

E saber que nao adianta existir no ser vivo

Eu quiz ser um momento de reflexão para o mundo

Para no fundo nunca descobrir onde erramos no mundo

Eu quiz ser os labios de uma prostituta

Para saciar mil beijos e ser astuta

E saber que nunca sou amada e, estou errada

Eu quiz ser

Para pensar e logo ser

E descobrir que Socrates estava errado

Eu quiz ser a noite em que se envolve a escuridao de um lado

Para testemunhar crimes, tráficos e cobiças

E nunca poder falar de malícias

Eu quiz ser o dia inimigo da noite e simplice

Para o poder condenar, e mais tarde compreender que sou cumplice

Eu quiz ser a fama

Para herdar o mundo e perder a alma

E descibrir que nao sou feliz

Eu quiz

Ser a obsessao para ter ideias fixas em mim

E descobrir que nem eu estou fixo em mim

Eu quiz ser a dor

Para causar transtorno ou mor… pschiu!!

E nunca descobrir a minha definiçao de dor

Eu quiz ser branco

Para sentir que diferença no seu todo tem o preto, ou louco

Para nunca entender porque que sou racista

Eu quiz estar errado

Para confundir o mundo

E descobrir que estou certo

Destino

De: Maximmus Angellicum

Estava tão convencido de saber o que queria, que se comportara da mesma maneira como aqueles que nunca tomaram uma decisão importante na vida. Fugira da dúvida. Da derrota. Dos momentos de indecisão. Mas o Senhor era generoso, e o conduzira ao abismo do inevitável, para mostrar-lhe que o homem precisa escolher – e não aceitar – o seu destino. 

Sem Título

De: Mario Kwenha

Sento-me na Ilha de Luanda, a Beira-mar

Ouço o barulho das ondas , exprimo-me sem pensar

Falo das minhas tristezas, aos meus ancestrais tento mandar o recado

Porque ... não posso esquecer o meu passado

 

Lágrimas caiem, deslizando suavemente pela minha face

Faz-me lembrar dos tempos que ainda não tinha nascido

Hoje vivo mas sou e estou esquecido

Mas lembro-me que naquele tempo que nunca estive perdido

 

... choro quando te vejo sofrer e nada posso fazer

Vamos fazer mais como então, se continuamos nessa vida

Com a nossa tristeza, enfeitada de alegria

Os nossos pesadelos, cheios de fantasia 

 

Que apesar de todas as dificuldades,

Somos e sempre seremos Angolanos de Verdade

Nossas palavras serão ouvidas por aqueles...

Aqueles... Por aqueles que cantam a liberdade

 

De: afrothug a.k.a Ngunza Kwenha

Quanto mais me inspiro, mais escrevo, Quanto mais escrevo, mais me inspiro.

Consciência

 De: Angelo Reis/Maximmus Angellicum

No Outono da minha vida,

quando eu pensava que havia vivido tudo o que podia viver ,

surgiu aquela mulher para me mostrar que nenhum sentimento

envelhece junto com o corpo.

Os sentimentos fazem parte de um mundo onde não existe tempo,

Nem espaço nem fronteiras. 

Descoberta

De: Angelo Reis

 

Tende piedade dos que têm medo de segurar na pena, no pincel, no instrumento, na ferramenta, porque acham que alguém já fez melhor que eles, e não se sentem dignos de entrar na mansão portentosa da Arte. Mas tende mais piedade dos que seguram na pena, no pincel, no instrumento e na ferramenta, e transformaram a Inspiração numa forma mesquinha de se sentirem melhores do que os outros. Eles não conheceram a Tua lei que diz:«Nada está oculto senão para ser manifesto, e nada se faz escondido senão para ser revelado.»

Maximmus Angellicum

Amor

De: Angelo Reis

 

 Sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra.

E quando estas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram,

todo o passado e todo o futuro perde qualquer importância,

e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível

que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma mão.

A mão que desperta o amor e que faz uma alma gémea

para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do sol.

Porque sem isso não haverá qualquer sentido para os sonhos da raça humana

Durante anos lutei contra o meu coração porque tinha medo da tristeza,

do sofrimento, do abandono.

Sempre soubera que o verdadeiro amor estava acima de tudo isto,

e que era melhor morrer do que deixar de amar.<


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